Se você é ou já foi tutor de um gatinho, provavelmente já ouviu falar nesse nome difícil: a Rinotraqueíte. Assim como a FIV e a FELV, essa doença ainda é muito comum aqui no Brasil e pode trazer várias complicações para a vida do seu felino. Por esses motivos, hoje viemos explicar um pouquinho sobre a Rinotraqueíte e como proteger nossos bichanos dela.

A Rinotraqueíte é uma doença do trato respiratório superior dos gatos e seus sintomas são muito similares aos da gripe humana.  Ela é causada pelo Herpes Vírus Felino (FHV-1), que pode contaminar o seu gato através da via nasal (nariz), oral (boca) ou conjuntival (olhos) e se espalha para faringe, traqueia, brônquios e bronquíolos (pulmões).

Gatos de todas as idades são suscetíveis à Rinotraqueíte, mas os gatinhos filhotes correm um risco maior. Gatas grávidas ou que sofrem de imunidade reduzida devido a uma doença pré-existente também estão em maior risco. Vamos falar agora sobre os principais sintomas dessa doença.

Sintomas

Inicialmente, as lesões do vírus podem causar necrose (morte de células) e/ou inflamação nas áreas da boca, nariz, garganta e olhos do seu gatinho. Em seguida, o vírus atinge a circulação sanguínea do animal e começa a se replicar. O felino infectado começa a contaminar o ambiente cerca de 24 horas após sua infecção e pode disseminar a doença por 1 a 3 semanas, transmitindo o vírus através de secreção oral, nasal ou ocular.

Alguns gatos infectados podem permanecer sem sintomas, mas atuam como portadores e espalham a infecção para outros gatos saudáveis. Os seguintes sintomas também podem aparecer em gatos contaminados:

  • Ataques repentinos e incontroláveis ​​de espirros;
  • Secreção nasal aguada ou contendo pus;
  • Perda de olfato;
  • Espasmo do músculo da pálpebra, resultando no fechamento do olho (blefarospasmo);
  • Secreção ocular;
  • Inflamação da conjuntiva do olho (conjuntivite);
  • Ceratite (inflamação da córnea, causando olhos lacrimejantes e visão turva);
  • Falta de apetite;
  • Febre; e
  • Mal-estar geral.

Conforme vimos, os sintomas da rinotraqueíte felina são bastante semelhantes aos da gripe em humanos: secreção ou corrimento nasal e ocular, inflamação dos olhos, espirros, tosse, febre, depressão e/ou pouco apetite. Logo, se o seu gatinho apresentar qualquer um desses sintomas, leve-o imediatamente ao veterinário.

A Rinotraqueíte pode se associar a uma infecção bacteriana secundária, causando secreção nasal e ocular purulentas que tem coloração esverdeada ou amarelada. Nos filhotes, isso pode ser grave e até mesmo gerar pneumonia e, em alguns casos, até a morte. Alguns animais desenvolvem rinite crônica.

A maioria dos gatos acometidos pode permanecer com essa infecção latente ao longo da vida, uma sequela da doença. Nesse caso, o vírus alcança os nervos e se aloja lá, sem provocar sintomas. Chamamos a infecção de “latente” porque esse vírus pode ser reativado e a doença reaparecer. Geralmente isso acontece quando o animal tem alguma baixa de imunidade por conta de estresse (como mudança de casa), de tratamento com medicamentos imunossupressores ou do período de amamentação em fêmeas.

Causa 

A Rinotraqueíte é causada por pelo Herpes Vírus Felino (FHV-1). É comum em lares com muitos gatos ou abrigos de animais devido à superlotação. Má ventilação, falta de saneamento, nutrição inadequada e estresse físico ou psicológico são outros fatores de risco importantes para a aquisição do FHV-1.

Diagnóstico 

Você precisará fornecer ao veterinário um histórico detalhado da saúde do seu gato, além do início e da natureza dos sintomas. O seu veterinário fará um exame físico completo para avaliar todos os sistemas do corpo e para checar a saúde geral do bichano.

Os exames de rotina incluem hemograma completo, perfil bioquímico e, em determinados casos, o exame de urina. Em alguns pacientes, o hemograma completo pode revelar um baixo número temporário de glóbulos brancos (leucócitos), denominado leucopenia, seguido de um aumento no número dessas células, denominado leucocitose. Essas células são do sistema imune e indicam a presença de uma infecção.

Testes mais avançados estão disponíveis para a detecção do FHV-1: seu veterinário pode coletar amostras de secreções do nariz e dos olhos do gato para enviar ao laboratório para confirmação. Amostras colhidas da conjuntiva do olho são coradas para detectar os corpos de inclusão intranucleares, isto é, os vírus que estão presentes no núcleo das células. 

Tratamento

Por ser uma doença viral, o tratamento é voltado para a amenização dos sintomas. Seu veterinário pode prescrever remédios para controlar a febre e, se julgar necessário, também pode indicar antibióticos. Os antibióticos de amplo espectro serão prescritos para a prevenção ou tratamento de infecções bacterianas secundárias.

Medicamentos oftálmicos (colírios) podem ser usados ​​para evitar danos oculares adicionais ou para o controle de uma infecção ocular já existente. Também estão disponíveis antivirais oftálmicas que geralmente são prescritos para esses pacientes. Para minimizar a congestão nasal, descongestionantes podem ser prescritos para uso regular.

A falta de apetite é comum em pacientes com infecções virais. Portanto, também é indicado estimular o apetite do paciente, utilizando alimentos palatáveis, de fácil aceitação e deglutição (como dietas pastosas e aquecidas). Isso é importante para manter os níveis de energia e hidratação saudáveis.

Vida e Gestão

É importante minimizar ou remover qualquer estresse da vida do seu gatinho para fortalecer sua imunidade. Se não tiver, você precisará criar um local na casa onde seu gato possa descansar confortavelmente e silenciosamente, longe de outros animais de estimação, crianças ativas e entradas movimentadas.

Também é importante que você isole seu gato de outros gatos para impedir a propagação do vírus a outros gatos. Facilite o período de recuperação para o seu gato; coloque uma caixa de areia perto de onde ele está descansando para que ele não precise fazer muito esforço quando quiser ir ao banheiro. Da mesma forma, mantenha suas tigelas (ou fontes) de comida e água em fácil acesso.

Por mais que você precise dar ao seu gato o máximo de paz possível, você deve verifica-lo com frequência, observando o padrão e a velocidade da respiração. Se ele não gostar de ficar sozinho, colocá-lo em algum lugar perto de você pode ser melhor.

Durante o período de recuperação, ofereça alimentos facilmente mastigáveis ​​e de fácil digestão ao longo do dia, juntamente com bastante água. A dieta adequada é o fator mais importante para determinar o resultado da doença, e alguns pacientes podem até morrer devido a falta de suporte nutricional.

Se o seu gato parar de aceitar os alimentos, seu veterinário provavelmente precisará colocar uma sonda para forçar a alimentação. Como vimos no artigo sobre ração de gatos, felinos não podem ficar muito tempo em jejum. 

Na maioria dos casos, quando não há infecções bacterianas secundárias, os sintomas melhoram de 7 a 10 dias. O prognóstico geral é bom se for fornecida nutrição e líquidos adequados. 

Prevenção

A boa notícia é que a vacina múltipla felina (V3, V4 ou V5) abrange doenças do sistema respiratório, incluindo a Rinotraqueíte. Logo, ela pode ser prevenida com facilidade: basta manter as vacinas do seu gatinho em dia! A vacina múltipla já é parte do protocolo de vacinação de gatos e o reforço deve ser realizado anualmente.

Se você adotou um gato recentemente, o ideal é que ele fique de quarentena antes que você o introduza à sua família (se você já tiver outros gatos). O vírus pode estar incubando e, com a quarentena, você evita a contaminação dos gatos saudáveis.

Conclusão

Apesar de ser uma doença perigosa (especialmente se associada a infecções secundárias), a Rinotraqueíte pode ser prevenida através da vacinação. Leve seu gatinho regularmente ao veterinário e mantenha as doses de vacina de reforço anuais em dia.

Tem alguma dúvida sobre Rinotraqueíte? Mande uma mensagem no WhatsApp para o nosso time em (11) 95250-3604 que a gente te responde 🙂

Sobre

Nathalia e um paciente

Nathália é veterinária e, como boa profissional da área, é completamente apaixonada por bichos. É especializada em tratamento intensivo e internação de animais domésticos. Teve bichos sua vida inteira e hoje divide apartamento com duas gatinhas bem peculiares.